Poemas

Acrobacia



















Ígnea

E diante do teu olho é tudo pedra.
Diante do teu pulso
infrágil sobressalto
o meu sangue que grita.
Vivo o meu monotema:
a fome vítrea
transparente.
Vivo cada linha torta,
cada palavra aberta,
cada letra muda.
Tua carne me adormece
_a tua carne opiácea_
e no meu sonho
eu tenho o mundo
sobre o teu peito.
Durmo no teu olho quieto sobre mim
e no meu sonho não há palavra
porque a intuição sabe ouvir o não dito.
Não ensurdeci do teu silêncio.
Depois de todas as quedas
existe ainda vida
ampla e imprevisível.
Estive muda na tua ausência
e agora toda letra celebra
em silêncio a fome imensa.

O que se move em mim
tem a convicção de rocha ígnea.


Masculino

Confusão por todo traço
nu e veemente_
a eloqüência do teu braço
cala a minha indecisão.

A natureza de bicho
sobre a tua carne
crava os dentes.

Mordo todo traço:
nua a tua inconclusão.